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O BLOGUE UNIVERSAL E INTERNACIONALISTA


A praça é do povo. Como o céu é do condor. É o antro onde a liberdade. Cria águias em seu calor! ...

A palavra! Vós roubais-la
Aos lábios da multidão
Dizeis, senhores, à lava
Que não rompa do vulcão.

Castro Alves
Jornal de Poesia

Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes? / Em que mundo, em que estrelas tu te escondes / Embuçado nos céus? /Há dois mil anos te mandei meu grito / Que, embalde, desde então corre o infinito... / Onde estás, Senhor Deus?

Castro Alves


MINHA LEI E MINHA REGRA HUMANA: AS PRIORIDADES.

Marília Gonçalves

Grandes almas sempre encontraram forte oposição de mentes medíocres.
Albert Einstein

Perguntas Com Resposta à Espera

Portugal ChamaS e Não Ouvem a Urgência de Teu Grito? Portugal em que http://www.blogger.com/img/gl.bold.gifinevitavelmente se incluem os que votando certo, viram resvalar de suas mãos a luz em que acreditavam; A LUTA CONTINUA )
Quem Acode à Tragédia de Portugal Vendido ao Poder dos Financeiros?! Quem Senão TU, POVO DE PORTUGAL?! Do Mundo inteiro a irmã de Portugal a filha. Marília Gonçalves a todos os falsos saudosistas lamurientos, que dizem (porque nem sabem do que falam) apreciar salazar como grande vulto,quero apenas a esses,dizer-lhes que não prestam! porque erguem seus sonhos sobre alicerces de sofrimento, do Povo a que pertencem e que tanto sofreu às mãos desse ditador!sobre o sofrimento duma geração de jovens ( a que vocês graças ao 25 de Abril escaparam)enviada para a guerra, tropeçar no horror e esbarrar na morte, sua e de outros a cada passo! sobre o sofrimento enfim de Portugal, que é vossa história, espoliado de bens e de gentes, tendo de fugir para terras de outros para poder sobreviver, enquanto Portugal ao abandono,via secar-se-lhe o pobre chão, sem braços que o dignificassem! Tudo isso foi salazar, servido por seus esbirros e por uma corte de bufos e de vendidos, que não olhavam a meios,para atingir seus malévolos fins!Construam se dentro de vós há sangue de gente, vossos sonhos, com base na realidade e não apoiando-os sobre mitos apodrecidos, no sangue de inocentes!!! Marília Gonçalves (pois é! feras não têm maiúscula!!!)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire



MONSARAZ

 
No pó estão impressos os passos

dos velhos guerreiros cansados.

Ninguém os vê, mas sabe-se

que dormem atrás das muralhas.

São de vidro os olhos fundos

das velhas sentadas

com os dedos retorcidos em riste

--velhos fusos fiando a lã dos séculos.

Ninguém viu a face austera

do Grande Senhor,

mas ele está presente

com um azourrague de medo

atrás de cada oliveira.

Tudo está conforme - o pelourinho, a missa

na Igreja Matriz, o fantasma

de Nun'Álvares rindo na cal do muro

e o açoite no servo

que faltou ao tributo.

E quando o Sol se esconde

lá longe, onde ninguém sabe,

as velhas diluem-se no escuro

e os olhos das corujas

tomam conta da noite.

O vento circula repetindo-se

entre o Castelo e o sino

em rodopios de bronze.

Soam badaladas de fome

à medida que os braços caem.

Um a um, os homens sacodem

a teia de aranha

e partem, de manhã,

rolando como pedras pela encosta

em busca duma esperança.

Monsaraz resiste, imperturbável,

no alto do silêncio

e os homens, que regressam assustados,

entram furtivos e descalços

para não acordar o tempo.


Carlos Domingos

Stalinegrado: Resposta a um pide isolado

Stalinegrado: Resposta a um pide isolado

A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire

o dinheiro não serve para

A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire



Quand le dernier arbre sera
abattu,
La dernière rivière empoisonnée,
Le dernier poisson pêché,
Alors vous découvrirez
Que l’argent ne se mange pas.”



"Quando a última árvore for
abatida,
A última ribeira envenenada,
O último peixe pescado,
Então vocês descobrirão
Que o dinheiro não serve para
comer."

 
Provérbio dos índios do Canadá

Pierrot le fou

A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire

DUAS PRIORIDADES PARA PORTUGAL!

1ª Preservar os burros "Equus asinus", o animal!



Acabar com os manhosos dos lobbys poderosos (eleitos por sufrágio...) que usam e abusam da República e dos seus cidadãos, com a única intenção de dar o salto para a Europa ou para as grandes empresas ou instituições, pelo mundo!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire


L'ADN lève le voile sur le mystère de Toutankhamon
 

Une équipe d'archéologues égyptiens ouvre à Louxor le sarcophage en or de Toutankhamon pour le scanner, le 5 janvier 2005.
AFP/ Ho / Mena
Par RFI
C'est un résultat de test ADN sans précédent qui lève le voile sur certains mystères autour du passé du légendaire pharaon Toutankhamon. L'hebdomadaire scientifique américain JAMA a publié ce mardi 16 février 2010 les résultats de la recherche menée par les scientifiques égyptiens.  Ils devraient confirmer ces informations lors d'une conférence de presse, mercredi 17 février au Musée National du Caire, en Egypte.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire




 A frescura do ar

o sorriso do dia

asa leve a voar

de alegria.



na fusão infindável

farei parte da terra

nada é imutavél

e nada nos encerra.



serei luz, serei ar

agua fresca, coragem

mas vou continuar

não se acaba a viagem.



Marília  Gonçalves

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Les grandes cités et le commerce mondial grignotent les forêts tropicales

A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire


La croissance urbaine et la mondialisation, moteurs de la déforestation


 En Bolivie, la forêt tropicale est grignotée par l’extension continue des cultures. Ces champs ne sont plus à destination des marchés locaux mais destinés aux exportations. © Nasa / Goddard Space Flight Center Scientific Visualization Studio


UM ARTIGO DE BAPTISTA BASTOS

A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire


UM ARTIGO DE BAPTISTA BASTOS
Liberdade, quem a não tem?



Quem diz que não há liberdade de Imprensa em Portugal ou é mentalmente indigente ou está a ser o serventuário de uma estratégia política repugnante. Os nossos problemas são outros e muitíssimo mais graves. Não trago o retrato de José Sócrates na carteira...

Quem diz que não há liberdade de Imprensa em Portugal ou é mentalmente indigente ou está a ser o serventuário de uma estratégia política repugnante. Os nossos problemas são outros e muitíssimo mais graves. Não trago o retrato de José Sócrates na carteira, execro o seu comportamento, detesto as malfeitorias que tem feito às classes mais baixas da população. Mas é quase impossível ele dispor de um poder que justifique o controlo da informação. Talvez o desejasse. Talvez manifestasse, particularmente, esse projecto. Mas está à vista que a campanha da "asfixia democrática", com incidência sobre a comunicação social só não é um disparate porque é uma tese aberrante.

Historicamente, o poder político sempre almejou dominar os meios informativos. As alternâncias (o rotativismo em que vivemos, importado do século XIX, com escassas alterações) têm determinado as alterações nos media. Sei muito bem do que falo. Eu próprio, depois de Abril, no "Diário Popular", numa direcção de Pacheco de Andrade e de Botelho da Silva, fui taxativamente proibido de "escrever artigos políticos." O assunto foi de tal monta que tive de pedir guarida no "Diário de Lisboa", cujo director-adjunto, Fernando Piteira Santos, me apoiou durante o tempo que ali publiquei.

A minha experiência, já aí, vinha de longe. E a intervenção da Censura salazarista deu cabo, limitou, impediu a publicação de inúmeros textos meus. À luz da perspectiva de hoje, muitos, a maioria, desses cortes fazem sorrir. Mas os censores não eram os cretinos fixos que se faz crer. Apenas como não havia nenhum código censório, os fiscais da prosa, quando a não entendiam - cortavam.

O que está actualmente em rodagem é uma impressionante manipulação intelectual dos portugueses, com a cumplicidade de alguns cavalheiros que deviam ter vergonha do que dizem.
Até Paulo Rangel (afinal candidato à chefia do PSD) não teve pudor em falar, no Parlamento Europeu, da "falta de liberdade de Imprensa" em Portugal. Disse-o e não corou. Devo dizer que tinha de Rangel uma ideia de homem sério. Modifiquei-a. O Executivo Sócrates pode, e deve, ser acusado de tudo. Agora, de conspiração maquiavélica para acabar com a livre opinião parece-me, verdadeiramente, um excesso. E, a não ser que seja informado do contrário, do que sei é que os jornalistas não têm sido impedidos de coisa alguma. Até de escreverem mal.

Claro que a liberdade de Imprensa, observada como totalidade é falaciosa. Contudo, é uma batalha exaltante pela qual jornalistas e leitores se têm de bater com denodo. E nem sempre saem vencedores. Deixem-me contar-lhes duas histórias verídicas. Há anos, o nome do grande jornalista Claude Julien foi indicado, unanimemente, pelos seus camaradas, para exercer as funções de director de "Le Monde Diplomatique". A decisão não encontrou aquiescência em Hubert Beuve-Mery, fundador de "Le Monde" e detentor de grande poder. Este acusava Julien de ser terceiro-mundista, o que poderia afectar o prestígio de "Le Monde Diplomatique", e recomendou nova eleição. E assim se fez. Outro nome foi o vencedor tangencial.

Um dos grandes nomes do ofício de jornalista é Harrison Salisbury. É, ou foi, ele já morreu há muitos anos. Mas o episódio que conto é exemplar da atenção que devemos todos ter sobre a liberdade de informação. Durante a guerra do Vietname, Salisbury começou a receber, pessoalmente, provas de que os aviões norte--americanos estavam a atingir, premeditadamente, alvos civis. A princípio, a direcção do "New York Times", onde o jornalista trabalhava, aceitou colocar notícias esparsas e escassas nas páginas pares e interiores do jornal. Até que a importância e a natureza da informação fez com que chegasse à primeira página.

Mesmo assim, era preciso o comprovativo do próprio jornal. Foi então que Harrison Salisbury recebeu um convite pessoal do presidente Ho Chi Minh, para visitar Hanoi e as áreas atingidas. Naturalmente, havia centenas de jornalistas norte-americanos no Vietname. Porém, pela primeira vez na história das guerras, o presidente de um país invadido dirigia um convite individual a um jornalista procedente do país invasor. No maior segredo, Salisbury viajou até Paris e, dali, para Hanoi. E testemunhou os horrores de uma tragédia que feria a honra dos Estados Unidos. As reportagens do grande jornalista constituem um modelo de dignidade e de decência e fazem parte da selecção mais rigorosa de textos de guerra.

Alguns anos depois, um jornalista português foi a Nova Iorque. Para um jornalista, ir a Nova Iorque e não visitar as instalações do "New York Times" seria blasfémia. E assim foi. Chegado à Redacção do jornal pretendeu conhecer Harrison Salisbury, "apenas para lhe apertar comovidamente a mão", como disse. O embaraço dos hóspedes foi tão evidente que o português, curioso e teimoso, insistiu: "apenas para lhe apertar a mão." Enfim e encurtando razões: Salisbury, um dos mais honrados profissionais de Imprensa de todo o Mundo, estava colocado na secção de Necrologia, num saneamento dourado que o seu imenso prestígio não conseguira evitar.

Isto para repetir que a liberdade de Imprensa nunca é um bem totalmente adquirido. E, também, para advertir aqueles que falam em falaciosas asfixias que estão a ferir a própria consciência da liberdade. O que é a sua mais perigosa ameaça.



b.bastos@netcabo.pt


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

                                                                                                                                      Sócrates



                                                        Sokrátes 




Sokrátes buscava o Conhecimento. O seu método para alcançá-lo era o diálogo e a humildade de formular todas as perguntas.

Sócrates prefere o Desconhecimento. O seu método para alcançá-lo é o monólogo e a arrogância de calar todas as perguntas.



Um pensamento de Sokrátes - Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.

Um pensamento de Sócrates - Quatro características deve ter um juiz: não ouvir escutas, responder obedientemente, ponderar nos riscos que corre e decidir se quer continuar a ter emprego.



Sokrátes provocou uma ruptura sem precedentes na Filosofia grega.

Sócrates provocou uma ruptura sem precedentes na Auto-Estima portuguesa.



Sokrátes tinha um lema: Só sei que nada sei.

Sócrates tem um lema: Eu é que sei.



Sokrátes auto- intitulava-se "um homem pacífico"

Sócrates auto-intitula-se "um animal feroz".



Sokrátes foi condenado à cicuta.

Sócrates foi condenado pelas escutas.



Sokrátes deixou-nos incontáveis dádivas.

Sócrates deixa-nos incontáveis dívidas.
   











                                                                                                                 

domingo, 7 de fevereiro de 2010

felicidades a todos


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Aves Azuis

A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire



Aves Azuis

No caminho do poente
o barco semeia luz
entre a sombra de repente
erguem-se aves azuis
donde vêem
onde moram
aves que dantes não vi
quem sabe amor, se as procuro
apenas dentro de ti.

Marilia Gonçalves




*******************************************************************
Invergonhas de um pai mandrião



Caía a tarde, célere sobre o róseo infinito da paisagem quando vi uma lágrima desangustiada desprendendo-se lavrada dum rosto enrugado e aparentemente grelhado pela chuva do sol que ardeu o relento daquela cidade morta, recheada de insalubridade em cada esquina de sôfregos amotinados em raças.

Pendeu-me o destino instantaneamente desarvorado, revolvi a memória longínqua retraída a distancia onde passeara longe daquela imaginação obstrutiva de júbilos, e suspirei num jeito mórbido de subornar a alma para não esfiar a lágrima como aquela mãe desajeitada que não suportou o seu próprio vício.

Uma mãe com um grito delido roçando-lhe as costas pelos vistos seu filho preso num fio de seda que já foi capulana e pendurado como se fosse uma mochila num colo decapitado dos ombros já murchos e a cair devagar num fogo demolidor de aços com fumos de maledicência.

Aproximei-me devagar sentindo ao longe o tremor da terra escancarando a boca e devorando-lhe viva desde os pés enterrados descalços até a alma mais recôndita no subterfúgio naquele escasso universo insidiado; e o hálito da morte desbravando os sentidos em cada gesto improfícuo simulado na perceptível fuga inadiável para desafogar a imaginação.

Desarrumei o soalho vulgarizado pela natureza onde o homem não ousou enterrar a pedra e sosseguei o corpo desfalcado sem fogo para não ondear o medo sobre a dúvida e cristalizei-me.

Entre nós só deduzia-se um sigilo intransigível mesmo pelo vento que nos grudava. Sussurrei-lhe bem alto para não rotular o silêncio.
- Boa noite senhora
Desmanchou por completo os lábios, olhou-me impávida como se fosse uma ignóbil formiga que se atreve a morte inevitável por debaixo dum pé ambulante desprotegida.
Descativou uma lágrima e agravou as valas macias do rosto quando o caudal subiu-lhe, alagou-se, mergulhando-se depois naquele caqui pegajoso não de lágrimas e adormeceu.
Insinuei-a já com novos agasalhos de palavras emotivas e abrandantes para uma mãe que já sentiu na dor um grito sangrento entre o delírio e a morte.
- Boa noite mamã. Levantou-se e retorquiu
- Mamã eu? Só tenho um filho, este sem pa...
Não tardou o dilúvio nos olhos, já imaginava tudo que tinha por dizer mesmo sem aqueles mares para libertar toda aquela angústia que sufocava o peito daquela mãe improvidente que não via a claridade do seu suor em descalabro. Aqui também divulguei a incontinência da emoção mesmo com as asas na mente a desbravarem o silêncio, solucei.

Verdes,
Verdes são as árvores
desbravadas em silêncio
que tombam a chiar
e tombam entre as matas
densas de vegetação
esquartejadas em raças.

E prontos, o silêncio não era o alvo almejado enquanto cativarmos as palavras, nem a importunação pelo revertimento sequioso da angústia por um pai invergonhado, trabalhador a ganhar um filho mundano.
Mesmo assim reverdecemos estendendo o dialogo na monção de suspiros eu aí feito um zarelho pertinaz a mendigar o pouco da desgraça.
- Mamã que aconteceu?
Regurgitou uma lágrima perene, último manjar disponível para desmotivar a fome e replicou:
- Pai dele filho, pai dele... que nem gostaria que o simulasse por engano ou ignorância num gesto igual ao dele se não evapora daqui e prontos. Evacuou-nos pior doque estamos com este filho dele, o filho que ele mesmo gerou e o nega agora porque ganha trezentos contos que não pode dividir com o seu próprio sangue, para dar a quem? È filho dele, definhado, carcomido e sugado pelas lágrimas da vida na alvura negando-lhe a paternidade. Será que fugir é solução?
Suspirou profundamente desterrando arduamente o ódio e engoliu uma coisa bem palpável desta vez aliviando a fome lá no fundo do vácuo.
E a noite ia içando por um lado a sua brumosa espuma sobre o universo enquanto o luar subia invisivelmente entre o fulvo da textura horrenda crucificado no azul do céu, assim juntos cobertos do mesmo lençol da vida.
- Mamã o que faz para viver?
- Viver? delido assim! Sobreviver filho, como servo dos mundanos, empregada da esquina, uma pobre sorrateira para ganhar porrada.
- Porrada?
- Sim, porrada! Senão aceito alargar esta família porrada meu filho, sem onde queixar é só cumprir, aliás quem sou eu aqui? Logo nesta casa infame dos malfadados e desempregados...
Suplicou penosamente o cataplasma enquanto uma lágrima contínua e desagradável na indignação do seu casamento escorria as valas que o tempo insano sulcou naquela mulher desalentada para drenar a sua esperança.

É fértil a lágrima sobre os olhos
florindo verde o silêncio
no desespero duma mãe incorpórea
favos de ossos decompondo-se
sobre a lama fértil da solidão
com um bebé gordo
coladinho na boca
sugando-lhe as gengivas para sobreviver.

E o filho sereno, espertinou os olhos articulando os vigamentos da ponta à ponta e bradou como se uma lágrima da mãe coçasse-lhe dolorosamente.
Encostou-lhe do lado esquerdo do peito e com a mão entre os favos vazios de alvéolos que já foram mamas engoliu-lhe a chucha presa entre os dedos que pelo seu desuso suplantava a involução.
Chupou, chupou, chupou e adormeceu enquanto ela também coligia sonhos para empandeirar profundamente as lembranças dos dias lúgubres e indeléveis como estes e tantos. E não desatremar nem manchar a esperança adiada para amanha.

- Chau, visite-nos mais e sempre que poder... despediu-se ela e retirou-se ciente que algo tomara a sua plenitude desvigorando a marcha dos nossos consolos e imergiu-se naqueles andrajos do corpo que ao mesmo tempo cobre quando dorme fingindo que não sente nada e sucumbiu no vento, a necrópole das desgraças.

Já não podia mais perpetuar a estadia ali enquanto rubra a esperança de renovar a presença dia seguinte.
Devastei avenidas sem fim, errante à busca dum conhecido meu que tolerasse um sôfrego a desoras onde o vulgo taxi não rastejava o asfalto àquela hora, rogando-lhe um abrigo por uma noite esfalfante e inolvidável como aquela.
Terminada a marcha, esgotos de água arrebentados, tais modernos rios dos nossos ratos assim como farrapos e recados velhos como abrigos incônditos das nossas crias despistavam-me sem êxito o acesso àquela porta já matizada.
- Boa noite João
- Oooh! Faz favor, entre; a quanto tempo!... entre, não aconteceu alguma coisa pois não, ahhh... você não mudou, sente-se, então...
E prontos, foi o reacender das boas lembranças num reencontro intempestivo onde pressagiara que velhos amigos não se esqueceriam em dias como aqueles. Descabiam-me manjares àquela hora, aliás quem suportaria tantas paciências? Faz favor!
E mesmo inconfortável a dessuetude da esteira numa fétida e módica sala escura apertando-me até a própria alma servida com hombridade por quem não podia dar mais que aquilo adormeci mesmo sem aqueles sonhos habituais.
E ao despertar não esperei o café da manhã, retornando e seguindo as pegadas que me levaram àquele sono a fim de retomar a amarga conversa suspensa para mais um lote de esquecimentos.
Lá estava ela despertada e serena como quem planeia mais uma labuta e quando se apercebeu da minha presença desprendeu os lábios e sorriu.
- Bom dia mãe, aqui estou de novo, ainda se lembra de mim?
- Como não filho, afaste alguma coisa aí e sente-se. Replicou desfiando a carapinha desgrenhada e afastando intrusos grãos de arreia despregadas que importunavam a visão limpa quando retornassem ao solo.
- Mãe, não vai acordar o filho, parece que já faz sol aí e ainda mais há pessoas que querem...
- O quê? Acordar? Deixe-o filho, estatelado nesta rua dos malfadados e desesperados. Chi, afinal elas não sabem? Deixe-o, vogar sobre o leito que merece e se a morte planea-lo deixo-o vale a pena onde o sobreviver é o alento do dia, oque acha que será dele?
- Pode vir a trabalhar e quem sabe até vir a ser um homem...
- Não filho, ontófago. Talvez um homem esbanjado pelas moscas nas lixeiras à busca duma fatia que o pai farto trincou, mastigou, cuspiu e atirou aos pedacinhos fora só porque não quer que seja seu filho em casa aquele que ele mesmo gerou e não quis educar. Retorquiu com um dedo em riste espumando o olho esmagado pelo ódio.
E num jeito de quem apercebera-se de tudo despertou de olhos embaciados sem o fulgor das outras manhás, desordenando os lábios como quem chupa o orvalho do universo esparso sem o catecismo dos outros meninos quando sentem fome.
- Não quer comer o bebé?
- Que bebé? Este que até sabe afunilar a língua e sorver pingos de desespero para sobreviver já que do leite não vem sortindo a tempo, onde está o sangue num cataplasma filho? Ainda mais quem lhe opinou deste alimento? Que continue filho de desafectos, de buscas , à sorte porque eu...
Desflorei um silêncio coagido pensando no esplendor que raiava nos olhos futuros daquele menino entregue à sorte e prontos.
- E agora não vai fazer nada já que a catadura do seu filho...
- Afogar-me na arreia com um filho nas costas e dois sacos de milho na cabeça. Sacos dum sacana de patrão que não paga se não uma fatia de pão que os cães dele chutam para dar este cãozinho igual e ainda mais zombada com indizíveis palavras pungente e dolorosas para um ambulante e o pai dele invergonhado numa boa.
- E ele nunca vos procurou assim... nem nada?
- Oquê? procurar? Só cruzamo-nos as vezes e vê seu filho despiciendo na moina e apontando-lhe por um dedo amputado por um punhal de vergonhas.
- Acha que ele não sente vexame nenhum perante esta situação?
- Que vexame! Uma vergonha imputada a uma urgência descabida da vida, e nós? Onde está o crisol de pai? Será que haverá purgatório das inóspitas heresias modernas, corações sujos como estes, invenção mordaz das palavras cruéis? Onde está o atrito da vida para parar o cinismo? E o que é moral palavra que todos usamos se quem a diz no momento não se atreve a dizer onde morra?
- Está bem mãe, parece que o tempo...
Concluía exânime olhando para o relógio requestando-me as horas para mais um dia de tráfego.
- Não, não se preocupe filho, um dia quando este sobreviver e crescer, cruzarão as almas e gestos no mesmo asfalto disfarçados, seus olhos catracegos derramando a angústia e o ódio, sobre as mentes nas réstias de susto e desespero. Tristes revertendo gritos e lamúrias das vozes já desencaminhadas pelo tempo e alguém atento e ciente sobre o viço, levantando-se para dizer:
"aquele é o pai dele", para todos o verem.

Noé Filimão Massango - Maputo, Moçambique
E-mail: nmassan@health.uem.mz

Da Ficção à Realidade

A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire





Aqui deixo com que se entretenham!...
verdade? mentira?
meias verdades? meias quimeras?
a cada um de reflectir e julgar por si

Marília Gonçalves



E NA CONTINUIDADE
DAS GRANDES DECISÕES


sarko ; personne ne pourra s'opposer au nouvel ordre mondial !!!

http://www.youtube.com/watch?v=4GyBP9g_Zy4&feature=related