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O BLOGUE UNIVERSAL E INTERNACIONALISTA


A praça é do povo. Como o céu é do condor. É o antro onde a liberdade. Cria águias em seu calor! ...

A palavra! Vós roubais-la
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Dizeis, senhores, à lava
Que não rompa do vulcão.

Castro Alves
Jornal de Poesia

Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes? / Em que mundo, em que estrelas tu te escondes / Embuçado nos céus? /Há dois mil anos te mandei meu grito / Que, embalde, desde então corre o infinito... / Onde estás, Senhor Deus?

Castro Alves


MINHA LEI E MINHA REGRA HUMANA: AS PRIORIDADES.

Marília Gonçalves

Grandes almas sempre encontraram forte oposição de mentes medíocres.
Albert Einstein

Perguntas Com Resposta à Espera

Portugal ChamaS e Não Ouvem a Urgência de Teu Grito? Portugal em que http://www.blogger.com/img/gl.bold.gifinevitavelmente se incluem os que votando certo, viram resvalar de suas mãos a luz em que acreditavam; A LUTA CONTINUA )
Quem Acode à Tragédia de Portugal Vendido ao Poder dos Financeiros?! Quem Senão TU, POVO DE PORTUGAL?! Do Mundo inteiro a irmã de Portugal a filha. Marília Gonçalves a todos os falsos saudosistas lamurientos, que dizem (porque nem sabem do que falam) apreciar salazar como grande vulto,quero apenas a esses,dizer-lhes que não prestam! porque erguem seus sonhos sobre alicerces de sofrimento, do Povo a que pertencem e que tanto sofreu às mãos desse ditador!sobre o sofrimento duma geração de jovens ( a que vocês graças ao 25 de Abril escaparam)enviada para a guerra, tropeçar no horror e esbarrar na morte, sua e de outros a cada passo! sobre o sofrimento enfim de Portugal, que é vossa história, espoliado de bens e de gentes, tendo de fugir para terras de outros para poder sobreviver, enquanto Portugal ao abandono,via secar-se-lhe o pobre chão, sem braços que o dignificassem! Tudo isso foi salazar, servido por seus esbirros e por uma corte de bufos e de vendidos, que não olhavam a meios,para atingir seus malévolos fins!Construam se dentro de vós há sangue de gente, vossos sonhos, com base na realidade e não apoiando-os sobre mitos apodrecidos, no sangue de inocentes!!! Marília Gonçalves (pois é! feras não têm maiúscula!!!)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fazer circular

Mensagens a Fazer Circular

Recebi o seguinte email dum amigo por quem tenho todo o carinho de Abril e aqui o deixo, num direito à palavra:

Car(o)a amig(o)a
Para teu conhecimento, com o pedido de divulgação que entenderes fazer, junto "resposta" a mais um ataque do cor. Manuel Bernardo.
Abraço amigo
.
Pergunto-me se vale a pena gastar tempo e energias com o Manuel Bernardo (MB). As suas acções no passado criaram-lhe um tão grande perfil de descridibilidade que me parece ser tempo perdido... De facto, só quem gosta de ser enganado é que ainda lhe dá crédito...
O ter presente o velho ditado de "água mole em pedra dura..." leva-me a, perante as investidas que me vem fazendo - ainda não consegui atingir o porquê de me ter eleito como alvo preferido das suas ofensas - esta tomada de posição, que conto possa trazer algum esclarecimento e alguma luz a quem esteja mal informado, mas de boa fé.
1. Em primeiro lugar, recuso liminarmente o título que MB colocou em mais uma das suas diatribes: como afirmei já mais que uma vez, não sei mentir, não invento estórias, os factos que conto são verdadeiros. Por muito que alguns MB os tentem contrariar. Neste caso, para além de não apontar nenhum facto concreto, a sua falta de credibilidade é a minha melhor defesa.
Importa aqui recordar a sua reacção, quando alguém lhe chamou a atenção para o facto de ele saber que as afirmações que faz no seu último livro sobre mim e a minha actuação na Guiné não corresponderem ao que se passou, não estarem correctas, estarem deturpadas: " está bem, mas eu tinha umas contas a ajustar..." afirmou, com o maior à vontade dos mentirosos e dos cínicos!
2. Também agora vem a público citar um despacho sobre mim - utilizando elementos reservados - do então comandante chefe da Guiné, gen. Spínola.
Mais uma vez a sua desonestidade intelectual se declara de forma brutal: ao ler o livro "Do Interior da Revolução" pôde tomar conhecimento - se é que o não sabia ainda - desse episódio em pormenor, nomeadamente a forma como Spínola recuou e me deu razão. Como sempre faz, quando lhe interessa, escamoteou factos e difamou indirectamente - pois nunca faz acusações directas - os que quer atingir, para saldar as contas que tem em aberto...
3. Vem também afirmar que só agora tomou conhecimento da razão porque em 1974 o quiseram sanear, acrescentando que eu nunca lhe fui apresentado e que apenas falou comigo em 1994...
O descaramento deste fulano chega a pontos inimagináveis!
Como já afirmei, o MB subscreveu o abaixo assinado que em 1973 se fez contra os dec-lei 353/73 e 409/73. Penso não ter sido eu a recolher a sua assinatura directamente, mas lembro-me de o ter contactado na Academia Militar.
Quando em 1974 é saneado pelo Conselho da Arma de Infantaria (CAI), procura-me pessoalmente e protesta o facto, pois "era do MFA, assinara o abaixo assinado...".
Tive, então, oportunidade de o esclarecer: defendera-o no CAI, informando dessa sua atitude, nada pudera fazer contra a acusação que aí lhe fora feita e sobre a qual me não pudera pronunciar, pois não estava cá, nessa altura.
Acusação que consistira em, no desenrolar do 16 de Março de 1974, ele ter colaborado com a acção da GNR e da PIDE/DGS , no cerco que estas forças fizeram à Academia Militar, donde resultou a prisão do Almeida Bruno e de outros oficiais do Movimento.
Aconselhei-o, então, a procurar esclarecer os factos com os membros do CAI que o acusaram.
Vem agora negar tudo isto e afirmar da pouca credibilidade da acusação, apontando procedimentos que diz ter tido e que relata em pormenor.
Não contesto esses procedimentos - não presenciei, ainda que a sua pouca credibilidade pessoal... - , não o acuso, como nunca o acusei, de ter ajudado a GNR e a PIDE/DGS a cercar a Academia Militar!
Não aceito é que venha negar e ignorar a diligência que fez junto de mim e os esclarecimentos que então lhe forneci...
Atitude que já me não surpreende, pois como lhe disse um dia no intervalo de um seminário na Universidade Nova, é fácil escrever mentiras, quando se não tem à frente quem nos possa contestar.Mais difícil é manter essas mentiras, cara a cara, o que o levara a calar-se no debate havido, não intervindo sequer face às minhas afirmações sobre procedimentos, totalmente opostas às afirmações que vinha publicando nos seus livros.Recordo perfeitamente que nem sequer reagiu, quando o acusei pessoalmente de
cobardia, o que aliás é natural nele.
Quanto à acusação que agora faz de que " o quiseram sanear, expulsando-o do Exército, sem qualquer vencimento", estamos perante mais uma das deturpações caluniosas em que MB é useiro e vezeiro: como explico em "Do Interior da Revolução", foi o facto de ainda não ter o tempo de serviço que o estatuto do oficial impunha para que se pudesse passar à reserva que fez com que ele e outros na mesma situação não passassem à reserva e ficassem na situação de "esperados". Isto porque, contrariamente ao que afirma, houve a preocupação de não criar nenhuma situação em que os saneados ficassem sem vencimento. O que penso não ter acontecido em todos os Ramos das Forças Armadas...Desta situação resultaria que, com o evoluir dos acontecimentos e ao contrário do que se passou com os oficiais saneados que já tinham o tempo de serviço mínimo para passarem à reserva, os "esperados" nunca foram efectivamente saneados e fizeram a sua carreira normalmente, vendo a situação de saneamento anulada, efectiva e definitivamente, quando alguns anos depois foi aprovada legislação que anulava os saneamentos e as respectivas consequências.
A queda para deturpações do MB é de facto espantosa!...
Quanto ao Carlos Fabião, apesar de alguns erros cometidos, todos sabem que um só dos seus dedos vale mais que todos os MB juntos...
4. Não tenho a intenção de voltar a perder tempo com MB, a não ser que a gravidade dos seus actos a isso me obrigue.
Quanto ao livro "Do Interior da Revolução" e aos factos que "eu invento", continuo à espera que me apontem esses factos. Apenas o gen. Ricardo Durão apontou dois ou três, mas a esse já respondi, aconselhando-lhe um esforço de memória.
A análise de MB, se ainda fosse preciso, cai pela base quando afirma que eu "omito o importante contributo dado ao processo contestatário por oficiais que estavam nas comissões em África".
Apesar de nessa entrevista a Manuela Cruzeiro dar essencialmente o meu testemunho sobre a minha experiência, a minha intervenção concreta, só uma mente retorcida e pré-formatada poderia fazer essa afirmação. Basta ler o livro, para ver o realce que eu dou a esse facto!
Vasco Correia Lourenço

As estórias inventadas por Vasco Lourenço

Por Cor. Manuel Bernardo

(…) a razão que levou o Conselho da Arma de Infantaria, (…) a saneá-lo (Manuel Bernardo): a acusação de que em 16 de Março de 1974 apoiou a GNR e a PIDE/DGS, no cerco à Academia Militar, donde resultou a prisão do Almeida Bruno e de outros oficiais do Movimento... Mais tarde, quando me procurou para conversar sobre isso, aconselhei-o a falar com outros membros do Conselho da Arma para esclarecer o assunto, o que ele não fez. (…)

Cor. Vasco Lourenço, in e-mail de 19-6-2009

1. Inspeccionei no dia 30 de Maio a guarnição de Cuntima.

Desde há muito estava informado de que o ambiente disciplinar da C. Caç. 2549 era mau e que nos últimos tempos piorara.

Acusação: Falta de aptidão do Capitão (Vasco Lourenço) para comandar.

O que vi, observei e ouvi na inspecção a Cuntima excedeu tudo o que se possa imaginar.” (…)

Despacho de General António de Spínola de 2-6-1970.

(In História do B. Caç. 2879; Arq. Hist. Militar)

Passados que foram mais de 35 anos sobre o 16 de Março de 1974, vim a saber agora, através de um e-mail deste elemento activo (mas com uma imaginação fértil) do Conselho da Arma de Infantaria a razão porque queriam “sanear-me”, isto é, expulsar-me do Exército Português, sem qualquer vencimento, e sem me darem a oportunidade de conhecer a acusação e de ser ouvido sobre ela, e poder defender-me com base nos mais elementares Direitos do Homem. Isto sucedia após ter cumprido quatro comissões por escala em Angola e Moçambique, desde 1961 a 1974. Apesar das minhas tentativas esforçadas para, na altura, saber a razão secreta de tal atitude, nunca ninguém se dispôs a fazê-lo, apesar das cartas que escrevi individualmente a cada um dos membros desse Conselho, incluindo este senhor! Durante a guerra, entretanto, ele tinha “evitado” fazer a sua 2.ª comissão, pois conseguiu ficar inamovível nos serviços de cifra do Exército, enquanto os outros sofriam na pele, no corpo e no espírito as sequelas resultantes desse esforço…, como os meus amigos Luís Villas-Boas e Joaquim Vasconcelos.

Vasco Lourenço, que ainda agora afirma terem sido os saneamentos de militares muito democráticos (!?), nunca me foi apresentado (1974-1994) e apenas falei com ele uma vez (através do editor), em 1994, numa divulgação do meu livro então publicado: “Marcello e Spínola; a Ruptura (…); Portugal 1973-1974, resultante da tese (equivalente a mestrado), que fiz na Universidade Católica Portuguesa, em regime pós-laboral.

Uma versão descodificada

Curiosamente a minha versão e empenhamento nos acontecimentos da também designada “intentona das Caldas” (cuja acusação contra mim, ele ou alguém inventou) já se encontra num livro publicado em 1975 e que viria a ser apreendido antes do previsto lançamento, na então Feira Popular (5-5-1975), pela célula do PCP da editorial “O Século”: “Radiografia Militar” de Manuel Barão da Cunha. Este oficial (DFA) codificou os nomes dos militares (por sua iniciativa) e, sendo o autor do texto darei os nomes verdadeiros, como já o fizera parcialmente naquele citado livro - Marcello e Spínola; a Ruptura (…), em 1994.

Chegando à pág. 270, pode ler-se:

Mário Cardoso (Manuel Bernardo): Actividades relacionadas com o “Movimento” de 23-2-1974 a 25-4-1974, na Academia Militar:

9 de Março

Estive presente numa reunião, num quarto do edifício do corpo de alunos, em que compareceram vinte e tal oficiais, onde foi exposta a situação dos três camaradas que deviam ser transferidos e que foram sequestrados por camaradas do “movimento” e em que é definida a atitude a tomar, em virtude de estarmos em prevenção rigorosa.

Fiz um telefonema para o Amaro (Major Campos de Andrada / RL2), a dizer o que se passava

Às 15H15 o 2.º Comandante avisa o General de que os oficiais querem ser recebidos por ele.

Após a reunião fiz novo telefonema para o Major Campos de Andrada para saber o que se passara lá e informá-lo do sucedido.

Às 19H30, estando na sala de oficiais, antes de sair, pois terminara a prevenção rigorosa, recebi o telefonema dum dos camaradas, que tinha um dos sequestrados consigo e não sabia o que havia de fazer, pois esperava directivas e queria falar com alguém da comissão central do “movimento”.

10 de Março

Consta à tarde que os camaradas Valdemar (Capitão Vasco Lourenço), Palma Sintra (Major Pinto Soares) e outros já estão presos na Trafaria. Consta também que os generais Gomes da Cruz (Costa Gomes) e Sílvio (António de Spínola) estão detidos nos gabinetes.

Depois do jantar, estando todos os oficiais na sala, atendo o telefone em que me perguntam se o Major Saraiva de Carvalho já chegou (nota-se que estão preocupados).

Às 24H00 chega aquele oficial e está cerca de meia hora a falar com o General. Cerca da 01H00 o Major Saraiva de Carvalho esclarece o pessoal e confirma a prisão dos camaradas. Depois acompanho-o com o Ten-Coronel Cunha (Armando Canelhas) para descobrir um quarto para ele se deitar. Digo-lhe que é possível que já esteja referenciado e que tenha a DGS atrás dele. Diz-me que já tem a família mentalizada para o caso de ser preso e apenas está furioso por estar a sentir-se ultrapassado pelos acontecimentos. Esclarece que os Generais Costa Gomes e António de Spínola se isolaram de propósito para evitar comprometimentos e não estarem detidos. Diz também que a conversa havida com o General Comandante foi à base de política, mas que não levou nada dele.

Depois de o deixar, aviso o oficial de dia para estar precavido com qualquer ordem exterior de prisão de algum camarada que esteja na Academia Militar, pois na véspera tive ocasião de verificar o “espírito de lealdade” do General em relação ao Governo Militar de Lisboa, comunicando-lhe pelo telefone, logo a seguir à reunião da tarde, da intenção dos oficiais, caso não estivessem de prevenção rigorosa, irem ao Terreiro do Paço de uniforme n.º 1 manifestarem junto do Ministério do Exército.

12 de Março

De manhã apresenta-se ao General o Alberto Belmiro (Ten. Cor. Almeida Bruno) que, à tarde, recebe a comunicação de que está mobilizado, por escolha, para a 5.ª comissão (Guiné), a fim de substituir o Fialho (Major Raul Folques).

13 de Março

(…) às 15H30 telefona o Ministro do Exército para marcar uma reunião com ele e outros generais em 14 de Março, no salão nobre da Assembleia Nacional.

14 de Março

Estou com o Major Marques (Manuel Monge), que me diz que vai haver à tarde uma reunião de generais, que o General Paiva Brandão já tem o discurso preparado e que pensam “correr” com os Generais António de Spínola e Costa Gomes. Entretanto chegam mais oficiais que se reúnem com ele no gabinete - parecem-me ser o Major Neiva (Jaime Neves), Major Venâncio Silva (Vítor Alves), Major Carolino (Casanova Ferreira) e Coronel Daniel (Rafael Durão). Como o gabinete do Coronel Séneca (Leopoldo Severo), que anteriormente já tinha sido posto em dúvida em relação ao movimento pelo Major Hélder (Hugo dos Santos), dadas as suas relações com o Sub-Secretário do Exército, ficava mesmo em frente do gabinete onde eles estavam reunidos, fiquei de vigia.

15 de Março

(…) Depois do almoço encontro o Major Saraiva de Carvalho que me diz que o golpe era para ser ontem, mas que a Força Aérea “borregou” e que agora tinham que fazer um planeamento apenas com o Exército. Falei-lhe no telefonema do General para o General Andrade e Silva (… podemos ficar descansados por mais uns tempos…)

16 de Março

Cheguei à Academia cerca das 06H00. Pouco depois chega o Ten-Coronel Almeida Bruno. Disse a alguém que já foi pôr o General António de Spínola num lugar seguro, pois que, antes, quando às 2 horas ia para o seu domicilio, viu a DGS a cercar-lhe a casa e se escapou. O General (AM) dá-lhe ordem para ir ao QG e como sabe que era para ser preso, pede que o Ten-Coronel Severo o acompanhe. Este oficial, quando regressou cerca das 12H00, disse que não havia problemas com o Almeida Bruno e se não fosse estarmos de prevenção rigorosa, sairia em liberdade. No entanto, seguiu para o BC5 e dali para a Trafaria.

Entretanto, cerca das 7H30, é recebido na sala de oficiais um telefonema do Major Saraiva de Carvalho; o camarada que o atende fica receoso por saber que os telefones estão sob escuta e passa-me o telefone. Diz-me Otelo que está na rotunda da Encarnação, junto das bombas de gasolina; diz ainda que vêm várias colunas do Norte e pede para mandar dois oficiais para servirem de elementos de ligação para ver se se consegue interceptar as colunas do BC5 e do RC7, que se dirigem para lá. Digo-lhe que é difícil e que vou ver se consigo. Chego junto à porta de armas, onde está um jipe para sair com o Major Bártolo (Major Nuno Bívar) e digo-lhe o que Otelo pretende. Falo também com o Ten-Coronel Lélio Pedro (Fisher Lopes Pires), que se prontifica a ir com ele. Quando regressaram disseram que já lá não encontraram o Otelo e que o caso estava complicado, e pediram-me segredo desta saída.

À tarde o General é chamado ao Quartel-General e toma conhecimento de que vai ser demitido das suas funções.

À noite faço um telefonema para o Coronel Ricardo André (Robin de Andrade), que sabia ligado ao General Spínola e por meias palavras alerto-o para o que se está a passar.

18 de Março

Aproveitando o final da prevenção rigorosa, passei pelos correios e enviei um telegrama para o Major Raul Folques, que estava na Guiné, com um nome falso no expedidor e com o seguinte texto: “Teu substituto Almeida Bruno não segue. Está retido na Trafaria desde anteontem, assim como outros vindos daí. Informa-te. Um abraço

De tarde, o General recebe a nota que nomeia o seu substituto, General Beltrão Filho (Pais Brandão) e que determina que o comando deve ser assumido no dia seguinte, por este. (…)

A versão de Otelo S. Carvalho

Depois desta cronologia de factos ocorridos na época, consideram os leitores que as afirmações de Vasco Lourenço têm alguma credibilidade?

Além disso saliento que tenho maneira de comprovar a veracidade do citado telefonema, não apenas através dos intervenientes que eu “recrutei”, mas também com o testemunho de Otelo Saraiva de Carvalho.

Vejamos o seu livro “Alvorada em Abril”, escrito quando já navegava nas águas da extrema-esquerda, em 1977. Na pág. 278 pode ler-se:

“(…) Mas era importante exercer sobre os camaradas que integravam a coluna do BC5 e até a do RC7 uma acção desmobilizadora. Fiz uma chamada telefónica para a Academia Militar. Atendeu-me o Rio de Carvalho. Perguntei-lhe, de chofre, se havia alguém disponível que pudesse ir para junto do RAL1 e que conhecesse o Major Vinhas.

- Não sei pá. Vou ver se há por aqui alguém. Mas olha que a malta está em prevenção rigorosa. O que é que tu andas a fazer?

- Deixa lá isso agora. Estou-me nas tintas para a prevenção. Arranja mas é aí um gajo qualquer da malta que possa vir para aqui. O Lopes Pires, por exemplo.

“O Capitão Manuel Amaro Bernardo, do meu curso, ajudante de campo do General Comandante apareceu depois a garantir que alguém ia lá ter e perguntou-me o que é que havia.

-Bolas! – disse eu – Depois hás-de saber. Agora preciso que venha aqui alguém para ver se convence o Vinhas.

“Desliguei. E metendo-me com o Miquelina Simões no carro, tentámos, então a nossa sorte. (…)

Neste texto de Otelo apenas existe uma incorrecção. Ele não podia ter sugerido o nome do Ten-Coronel Eng.º Fisher Lopes Pires (mais tarde graduado em general e membro da Junta de Salvação Nacional depois de 28-9-1974), pois a escolha casualmente foi feita por mim, sem saber do teor da conversa de Otelo com Rio de Carvalho e terá sido acrescentado na sua versão à posteriori, por o ter visto naquele local.

Repare-se também que, ao contrário do que fazia com os outros, colocou no seu texto o meu nome completo, para não confundir com o Lencastre Bernardo, de Artilharia (depois amigo do Dias Loureiro…) ou com o Correia Bernardo, de Cavalaria, que ficou na defesa da EPC, quando o Salgueiro Maia saiu a 25 de Abril.

Na página 281, Otelo confirma a chegada dos oficiais que eu enviara:

(…) Ele (Miquelina Simões) continuara o seu veemente protesto junto do Major Vinhas e da malta do BC5. Entretanto, acorrendo ao meu telefonema, aparecera o Nuno Bívar, num jipe da Academia, tendo saído com o pretexto de ter uma instrução de Educação Física programada para o anexo da Amadora e não poder faltar. Ajudara ao barulho.

Acompanhara-o o Lopes Pires que, prudentemente, não abandonara o jipe. (…)

General Spínola sobre a actuação de Vasco Lourenço na Guiné

Continuemos o despacho do General António de Spínola referido no início deste texto:

“2. Rancho

“O pessoal queixou-se de que há cerca de 15 dias se encontrava sem batata e arroz e que teve falta de farinha e sal.

“Averiguei sumariamente a origem de tal anomalia; imediatamente concluí pela existência de graves negligências do Comandante de Companhia e do vaguemestre.

“Ambos se encontravam de licença com conhecimento do Comandante de Batalhão de Caçadores 2879.”

“3. Alojamento do pessoal

“As condições de alojamento são péssimas, com a agravação de se encontrar em construção um aldeamento, que oferece a experiência suficiente para se improvisar rapidamente instalações aligeiradas, que satisfaçam condições mínimas de habitabilidade.

“Há pessoas a viver em abrigos, que são buracos absolutamente inabitáveis.

“O pessoal encontra-se há dez meses na Província e ainda não tem colchões. Porquê? Quando unidades mais recentes já os têm.”

“4. Armamento

“Encontrei espingardas automáticas G3 em péssimo estado de limpeza e conservação, o que denota que há muito tempo não é passada revista ao armamento, negligência do comando grave em campanha. Note-se que as companhias africanas e as milícias vêm tendo cuidados especiais com a conservação do armamento.”

“5. Acção disciplinar sobre o pessoal

“Proíbo que, com base na presente inspecção se punam soldados (refiro-me ao armamento), pois as faltas por mim detectadas encontram-se cobertas pelos Comandantes de Pelotão e estes pelo Comandante de Companhia, a quem deve ser pedida responsabilidade.” (…)

“9. Inspeccionarei Cuntima dentro de um mês. O Senhor Cmdt/CTIG e o Cmdt Bat. adoptarão todas as medidas necessárias em ordem a resolver todas as anomalias detectadas”.

“Sobre esta circular (despacho), o Ex.mo Cmdt de Bat., Ten-Coronel Inf.ª António José Ribeiro, lançou o seguinte despacho:

Ciente.

Foram tomadas todas as providências requeridas.

Tinha conhecimento pessoal dos assuntos expostos, excepto na falta de aptidão do Capitão para comandar – só está há dois meses sob o meu comando –, e do estado de limpeza das G3. Aguardo a chegada do vaguemestre da companhia para o ouvir nos termos do art.º 130 do RDM e puni-lo, caso, como parece verificar-se, haja incúria nos serviços a seu cargo”.

As “aventuras” de Vasco Lourenço na Guiné e os elogios a Fabião

Terá sido na sequência destes factos que Vasco Lourenço foi punido por duas vezes, deste modo:

Em 21-11-1970, punido com uma repreensão pelo Comandante Militar do CTIG, “por durante alguns interrogatórios a elementos suspeitos da população civil ter usado e mandado usar meios coercivos para com os mesmos”. Infringiu o dever 44.º do art.º 4.º do RDM.

Em 22-2-1971, foi punido com uma repreensão, pelo Comandante Militar do CTIG, “porque tendo conhecimento de deficiências graves na confecção do rancho, devidas à inaptidão do vaguemestre da companhia, não actuou de forma adequada que a situação exigia, do que resultou terem-se tais deficiências repetido, com manifesto prejuízo para a disciplina”. Infringiu 5.º do art.º 4.º do RDM.

Esta punição era inicialmente de três dias de prisão (24-10-1970), tendo sido possivelmente alterada face a reclamação feita pelo oficial.

As duas repreensões viriam a ser posteriormente anuladas: a primeira, uma ano depois, nos termos do art.º 154.º do RDM; e a segunda, pelo Decreto-Lei 202/74 de 14-5-1974.

Lembro que no seu depoimento a Maria Manuela Cruzeiro (Do Interior da Revolução, Lisboa, Ed. Âncora, 2009), Vasco Lourenço, a propósito dos saneamentos compara dois “casos especiais”, o meu, em que, segundo ele “a evolução da situação fez com que fosse esquecida essa decisão e eles nunca fora passados compulsivamente à reserva”. Não é verdade! Depois de todo um processo movido por mim, ao longo de muitos meses, houve uma decisão para anular tais saneamentos, autênticos escândalos contra os mais elementares Direitos do Homem. E se ele tivesse “vergonha na cara”, nem viria agora falar sobre tal escabroso assunto.

O outro caso especial, que veio defender como bom na sua perspectiva, foi o sucedido com Carlos Fabião. Segundo ele, este oficial “é bem o exemplo de um oficial extraordinariamente digno, que foi muito mal tratado pelo Exército, e não só”. Não seria o contrário? Não foi Fabião que, com o seu comportamento como CEME, deixou que o Exército fosse disciplinar e eticamente destruído, de tal modo que nenhum comandante de Unidade, na altura, podia em consciência dizer que uma qualquer ordem sua fosse cumprida?

E onde estava a sua dignidade quando numa audiência concedida sobre o caso dos saneamentos, em Dezembro de 1974 eu lhe disse que iria tentar resolver o assunto pela via judicial, e me respondeu que os Tribunais não mandavam nada, pois o poder estava nele e nos que tinham feito a revolução.

De facto, apenas voltámos a viver num Estado de Direito, depois do 25 de Novembro de 1975, quando ele foi demitido e os Tribunais voltaram a ter a importância que lhes é devida.

Naquele depoimento a Maria Manuela Cruzeiro, Vasco Lourenço inventa factos a seu belo prazer. Dois oficiais já vieram a público desmascarar essa atitude incorrecta de presunção e mistificação: o General Ricardo Durão e o Coronel Av. Costa Martins. Com este texto espero igualmente ter dado a minha contribuição para a desmontagem da manipulação (incluindo a omissão do importante contributo dado ao processo contestatário por oficiais que estavam nas comissões em África) feita ao longo do referido livro.

Cor Ref. Manuel A. Bernardo

25-6-2009


Um e-mail que pode salvar vidas

Reconhecer um derrame cerebral


É sempre bom saber .

Durante um churrasco uma amiga caiu sem tropeçar,

ela assegurou a todos que estava muito bem (ofereceram-se para chamar um médico) e que somente havia caído por causa de seus sapatos novos. Os amigos

limparam-na e deram-lhe um novo prato de comida. Embora parecendo um pouco agitada, Ingrid aproveitou o resto da noite. O marido de Ingrid mais tarde

ligou para dizer a todos que sua esposa tinha sido levada ao

hospital - (ás 18h00, Ingrid faleceu); sofrera um derrame durante ochurrasco.

Se os amigos tivessem sabido identificar os sinais do derrame talvez Ingrid

estivesse connosco hoje.

Leva somente um minuto para ler isto!




Reconhecer um derrame:


Um neurologista diz que se puder chegar a uma

vítima de derrame dentro de 3 horas, podem

totalmente ser anulados os efeitos desse derrame...

totalmente! Disse que o truque é reconhecer e

diagnosticar o derrame e chegar ao paciente nas primeiras 3 horas.

Às vezes os sintomas de um derrame são difíceis de identificar.

Infelizmente, a falta de consciência leva ao desastre. A vítima de derrame

pode sofrer danos no cérebro quando as pessoas

próximas falham no reconhecimento dos sintomas do derrame.

Os médicos dizem que um bom observador pode reconhecer um derrame fazendo

três simples acções:


  • Peça ao indivíduo para SORRIR.

  • Peça que LEVANTE AMBOS OS BRAÇOS.

  • Peça que PRONUNCIE uma FRASE SIMPLES (coerentemente) (ex:"o dia está bonito")

Se a pessoa tiver problemas em qualquer uma dessas tarefas, ligue para o 112

imediatamente e descreva os sintomas que constatou.

Após terem descoberto que um grupo de voluntários

não médicos poderia identificar a fraqueza facial, a fraqueza do braço

e os problemas do discurso, investigadores incitaram o público em

geral a aprender as três acções. Apresentaram suas conclusões na reunião

anual da associação americana de derrame, em Fevereiro passado.

Difundido o uso deste teste nós poderemos ajudar no

diagnóstico e no tratamento do derrame e impedir os danos cerebrais.

Um cardiologista diz que se todos os que receberem

este e-mail o enviarem a

10 pessoas, pode apostar que pelo menos uma vida será salva.


SEJA UM AMIGO E COMPARTILHE ESTE ARTIGO COM TANTOS

AMIGOS QUANTO POSSÍVEL.


Você pode salvar vidas !!!


Um e-mail que pode salvar vidas

Coisas bem simples que podem salvar a vida de alguém.

Sorrir, movimentar os braços e falar.

Boa informação.

Um abraço


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Urgente!! Não à primeira vez




HOJE RECEBI FLORES!!!!



Não é o meu aniversário ou nenhum
Outro dia especial; tivemos a nossa primeira
discussão ontem à noite e ele me disse muitas
Coisas cruéis que me ofenderam de verdade.
Mas sei que está arrependido e não as disse
a sério, porque ele me enviou flores hoje.
E não é o meu aniversário ou
Nenhum outro dia especial.

Violencia1


Ontem ele atirou-me contra a parede e
começou a asfixiar-me. Parecia um pesadelo,
mas dos pesadelos acordamos e sabemos
que não é real. Hoje acordei cheia de dores e
com golpes em todos lados.
Mas eu sei que está arrependido porque ele me
Enviou flores hoje. E não é São Valentim ou
Nenhum outro dia especial.


Violencia2


Ontem à noite bateu-me e ameaçou matar-me.
Nem a maquiagem ou as mangas compridas
poderiam ocultar os cortes e golpes que me
ocasionou desta vez. Não pude ir ao emprego
hoje porque não queria que percebessem.
Mas eu sei que está arrependido porque ele
me enviou flores hoje. E não era dia das mães ou
Nenhum outro dia.

Violencia3


Ontem à noite ele voltou a bater-me,
Mas desta vez foi muito pior. Se conseguir
deixá-lo, o que é que vou fazer? Como poderia
eu sozinha manter os meus filhos?
O que acontecerá se faltar o dinheiro?
Tenho tanto medo dele!
Mas dependo tanto dele que tenho medo
de o deixar. Mas eu sei que está arrependido,
Porque ele me enviou flores hoje.

Violencia4


Hoje é um dia muito especial:
É o dia do meu funeral.
Ontem finalmente conseguiu matar-me.
Bateu-me até eu morrer.

Violencia5



Se ao menos tivesse tido a coragem e a
força para o deixar...
Se tivesse pedido ajuda profissional..
Hoje não teria recebido uma coroa de flores!

Por uma vida sem violência!!!
Partilhem esta mensagem para criar consciência...

PARA QUE SE TENHA RESPEITO COM A
MULHER, COM AS CRIANÇAS, COM O IDOSO...

ENFIM, AMIGOS, QUE SE TENHA RESPEITO COM O PRÓXIMO, SEJA QUEM FOR!!!
DENUNCIEM A VIOLÊNCIA.. !!!


CANÇÃO DE ALANDROAR

(Poema dito em 4 de Outubro de1986 na escadaria do castelo de Alandroal perante uma


audiência de centenas de pessoas)
Aquela branca flor de alandroeiro
era a única luz do alandroal.
Nem a lua rompia o nevoeiro
nem o sol punha um riso matinal.
Ali reinava a treva o dia inteiro.
Ser de noite era um estado natural.
Não duravam as flores no canteiro
e apodrecia a água no canal.

O vento ameaçava, em tal berreiro
que tremia de medo o canavial.
Trovejava o relâmpago certeiro
zunindo como um látego infernal.
Tal o rancor, o ódio verdadeiro
a abater-se em torrente no local,
que até mesmo o impávido coveiro


pedia ajuda aos mortos do coval.
Mas o povo sorria, prazenteiro,
numa beatitude divinal.
Bailava e patinhava no lameiro
indiferente aos dentes do chacal.
Os homens riam com olhar rafeiro
e as crianças, em saltos de pardal,
vinham brincar com ossos no palheiro
e mascarar a dor de carnaval.
Foi quando rebentou a flor. Primeiro
era um botão, um tópico, um sinal.
Depois desabrochou e, logo, um cheiro
a espaço aberto dominou o vale.
Vieram as crianças a terreiro
entoando cantigas de natal.
Veio o pastor, o cavador, o oleiro,
o almocreve, a ceifeira, o maioral.
Uma flor branca abriu ao povo inteiro
o clarão de uma esperança universal.
Amainou a água turva do ribeiro,
deixou de ser agreste o matagal.
Estoiraram foguetes no outeiro,
repartiu-se irmãmente o pão e o sal.
Já se apertava o braço ao companheiro,
abriam-se olhos negros no olival.
Eis que, lá longe, surge um cavaleiro
galopando veloz, branco de cal,
num corcel negro a deslizar ligeiro
como núvem em pleno temporal.
Aproxima-se mais o viageiro
(esqueleto emergido do coval).
Traz na boca um sorriso traiçoeiro
e, a tiracolo, o ódio no bornal.
Desembaínha um arrepio. Ligeiro
esconde-se nas sombras de um portal.
Desfere um golpe. E a flor do alandroeiro
cai, desfeita de dor, no lodaçal.
Um grito de alma ecoa no terreiro.
Um pesadelo instala-se, brutal,
quando a flor branca rola no ribeiro
e parte, envolta num palor mortal.
No mesmo instante, a meio de um junqueiro,
brota uma flor de sangue, sem igual.
Desde esse dia de ódio derradeiro
nunca mais ninguém riu no alandroal.

Carlos Domingos


terça-feira, 30 de junho de 2009

Blogue dos Capitaes de Abril

a ver nos Arquivos do blogue Avenida da Liberdade

Blogue dos Capitaes de Abril

momentaneamente encerrado


A minha passagem por Caxias - Como a CIA ensinou os portugueses a torturar


PIDECIA

A minha passagem por Caxias
Como a CIA ensinou os portugueses a torturar

por Christopher Reed [*]
nota de esclarecimento [**]



Durante vários dias, no princípio do verão de 1974, tive acesso livre a uma estranha e terrível prisão próxima a Lisboa, então vazia devido ao golpe que no mês de Abril findou 48 anos de ditadura fascista em Portugal. O meu tempo na prisão de Caxias foi uma experiência jamais esquecida, mas eu não esperava que as memórias retornassem tão vivamente hoje — devido ao estímulo dos Estados Unidos.

Minhas recordações colocam a questão de saber se Caxias era o princípio do arquipélago prisional americano, o controle penal sem lei que hoje se estende desde Guantanamo, em Cuba, ao Médio Oriente, ao Afeganistão e às instalações clandestinas na Colômbia, nas Filipinas e em outros lugares desconhecidos, bem como suspeitos paraísos da tortura por procuração como a Síria. Quando é que os prisioneiros políticos do mundo começaram a responder não aos seus compatriotas e sim ao Tio Sam?

A prisão de Caxias era dirigida pela polícia secreta, a Pide (Polícia Internacional de Defesa do Estado), temida pelos portugueses. Os peões atravessavam a rua para evitar passar em frente à sua sede em Lisboa. Caxias era uma velha fortaleza próxima ao mar, mas no seu interior havia uma moderna câmara de tortura que utilizava as mais recentes técnicas de coerção — concebidas pela US Central Intelligence Agency.

Durante décadas, milhares de prisioneiros políticos, principalmente comunistas e socialistas, deram entrada em Caxias para tortura sistemática e a seguir foram soltos. Por que estes subversivos conhecidos, que haviam dedicado as suas vidas à destruição da ditadura, puderam retornar à liberdade? Porque o êxito das técnicas modernas de tortura importadas pela Pide significava que as suas vidas anteriores haviam-se tornado irrelevantes? Nas palavras da Pide, eles haviam sido "jogados fora do tabuleiro de xadrez". As suas vidas, velhas ou novas, foram destruídas.

O meu guia em Caxias foi um psiquiatra português treinado em Edinburgh, o qual, felizmente por um período curto, fora ali prisioneiro. Ele contou-me que muitos prisioneiros libertados, especialmente os comunistas — considerados como os mais difíceis de quebrar — não voltavam para casa. Ao invés disso afastavam-se das suas famílias, conseguiam um emprego simples, ou caiam no alcoolismo, até mudavam de nomes; tais eram as suas novas vidas como zumbis mentais, criado pela coerção. (Isto foi confirmado por outro psiquiatra que entrevistei que tratou vítimas de Caxias).

O ponto central da tortura era a privação do sono, uma nova descoberta guardada num manual secreto com 128 páginas produzido pela CIA em Julho de 1963 e denominado Kubark Counterintelligence Interrogation . Foi-me dito várias vezes em Caxias que os métodos da Pide provinham da CIA, embora eu não tenha visto uma cópia do Kubark (a palavra é um nome em código para a própria agência). Contudo, Portugal é e era membro da NATO, e como o seu Partido Comunista clandestino era encarado como a maior ameaça à segurança do país, e a Guerra Fria ia de vento em popa, parece não haver dúvida de que a agência de inteligência americana, destinada a combater o comunismo por toda a parte, foi a fonte. Ela tinha também a informação mais recente sobre "interrogatório coercivo".

Isto tornou-se mais claro ao examinar com atenção o manual Kubark, o qual foi desclassificado em 1997 quando o Baltimore Sun ameaçou iniciar um processo de acordo com a lei americana Freedom of Information Act. Ali descreve-se claramente o que eu vi dos métodos de Caxias, e o que li a respeito nos relatórios internos da Pide durante as minhas visitas à prisão em 1974.

O capítulo nove do Kubark, intitulado "Interrogatório coercivo de fontes resistentes pela contra-inteligência" (Coercive Counterintelligence Interrogation of Resistant Sources) , recomenda privação do sono e sensorial a fim de produzir a "síndrome DDD" de "debilidade, dependência e medo" ("debility, dependence, and dread") nos "interrogados". (Observe-se a desumanização desta palavra). As vítimas podiam ser reduzidas à submissão numa questão de horas ou dias, dizia-se ali, mas advertia-se a seguir contra "aplicações duras que ultrapassam o ponto dos danos psicológicos irreversíveis". Esta última frase confirma o que a Pide estava a fazer.

O objectivo do interrogatório da CIA, como Kubark enfatiza reiteradamente, era informação, daí a advertência. Mas quão convenientemente isto servia a Pide, a qual estava menos interessada na informação das suas vítimas do que na sua destruição. Caxias adoptou o Kubark, mas levou deliberadamente os seus métodos ao extremo contra o qual se advertia. Mas como a mente que elaborou o manual do torturador cuidadosamente observa, "A validade dos argumentos éticos acerca da coerção ultrapassa o âmbito deste documento".

Cumprindo as recomendações do manual, as células à prova de som de Caxias não continham distracções. As paredes e os tectos eram brancos mas permaneciam marcas arranhadas — eram fontes excelentes para estimular as alucinações que os prisioneiros experimentavam após os primeiros poucos dias sem sono. A iluminação, como o Kubark recomendava, era fraca, artificial, e a sua fonte invisível. Enormes aparelhos escondidos de ar condicionado-aquecimento podiam em minutos tornar a temperatura da sala fria como o gelo ou ardente como o deserto.

O mobiliário, principalmente uma mesa e umas poucas cadeiras, era protegido nas pontas para impedir os prisioneiros de se tentarem matar chocando a cabeça contra os mesmos, como fizeram alguns. Os tectos da cela tinham alto-falantes que difundiam sons ruidosos e terrificantes, ou por vezes os choros e soluços das suas esposas ou filhos. A Pide havia-os gravado e executava-os a partir do "estúdio" central que eu vi.

As refeições eram servidas aleatoriamente, de modo deliberado. Um aparente pequeno-almoço podia chegar às 16 horas; o jantar à meio da noite. Não eram permitidos relógios. Ah, sim — as células não tinham camas. O record de privação de sono de um prisioneiro foi de um jovem engenheiro, um comunista, mantido desperto durante um mês. Ele cometeu o suicídio após a sua libertação.

Como se pode manter alguém desperto durante semanas? O meu amigo psiquiatra sentou-me na mesa revestida de plástico e pediu-me para fingir que adormecia. Fechei os olhos — para ser sacudido por uma aguda mas penetrante série de sons metálicos. Ele havia apanhado uma moeda de um escudo e simplesmente batia-a sobre a mesa. Espantosamente, habitualmente isto era suficiente, e os guardas revezavam-se horas sem fim. Um outro método era lançar uma caneca de água fria na cara do prisioneiro. E naturalmente as gravações em fita estavam sempre disponíveis.

Em tempos mais antigos a Pide era famosa pela brutalidade da tortura. Mas isto foi suavizado com os seus benevolentes guias da CIA; a violência era evitada. Eu vi um relatório sobre um responsável da Pide rebaixado por bater num prisioneiro, renovando assim a sua resistência. Como diz o Kubark-CIA: "A brutalidade física directa apenas cria ressentimento, hostilidade, e mais desafio". O relato sobre o responsável da Pide queixava-se de que a sua violência havia "atrasado o tratamento". Os prisioneiros de Caxias não eram deixados nus e não sofriam coerção sexual sistemática. Isto veio anos depois — em 1983 quando a CIA actualizou o Kubark e recomendou despir prisioneiros e mantê-los vendados. Presumivelmente, o acréscimo da manipulação sexual é a ideia mais recente dos intelectuais americanos da tortura.

O manual de 1983, utilizado entusiasticamente pelos clientes da CIA nas odiosas guerras "contra" aos nacionalistas de esquerda da América Central nos anos do presidente Reagan, foi alterado em 1985 após publicidade desfavorável. Uma página inserida declarava: "A utilização de força, tortura mental, ameaças, insultos, ou exposição a tratamento desumano de qualquer espécie como ajuda ao interrogatório é proibida pela lei tanto internacionalmente como internamente; não é nem autorizada nem perdoada". Mas, como eles dizem, o que vai de um lugar para outro acaba por voltar.


21/Mai/2004



[*] Christopher Reed foi o correspondente do London Guardian em Portugal entre 1974 e 1976. Escreve agora para o London Observer e outros jornais. O seu email é: christopherreed@earthlink.net .

O manual da CIA encontra-se em http://www.kimsoft.com/2000/kubark.htm .


[**] Alguns reparos ao artigo "A minha passagem por Caxias", de Christopher Reed

Sendo o objectivo deste artigo positivo e de denúncia da tortura no Portugal fascista, como local de prática e experiências ao serviço e sob instruções da CIA/USA, há algumas inexactidões que retiram valor, peso e credibilidade ao mesmo. É um artigo com uma orientação clara e correcta, que alguns elementos secundários não devem ofuscar. Assim:

1 - A imagem do Forte de Caxias apresentada não é a da prisão, mas a de um forte militar existente, que não é associado historicamente à prisão, e que não foi a prisão politica fascista [a referida imagem foi retirada de resistir.info. Nessa prisão localizada também em Caxias foram praticadas as torturas referidas no artigo;

2 - A actuação da PIDE não foi a de torturar e depois "libertar", mas sim torturar, condenar e prender por tempo indeterminado através das célebres medidas de segurança de 6 meses a 3 anos prorrogáveis (há casos de absolvição com prisão efectiva por cumprimento de medidas de segurança; era muito frequente que no final do cumprimento da pena fascista a prisão continuasse com medidas de segurança.

3 - Não é verdade que, uma vez libertados, os presos políticos ou caíssem no alcoolismo, ou mudassem de nome, ou se afastassem dos familiares: eram prestigiados e respeitados (o que se verificou largamente no 25 de Abril). O traço comum foi o de continuar a luta, legal, semi-legal ou clandestinamente, normalmente nas fileiras do PCP.

4 - Nas salas de tortura a iluminação era visível, de luz intensa e violenta, e não havia aquecimentos/ar condicionado escondidos.

5 - As refeições eram servidas a horas certas. Com drogas misturadas? Pelo menos esta ameaça era feita insistentemente.

6 - O engenheiro sujeito a tortura do sono fui eu (31 dias e noites em 33 dias de calendário), e não me suicidei.

Porque penso que este sitio deve ser respeitado e respeitável, aqui vai este esclarecimento, que é feito com sentido positivo e de ajuda,
com um abraço
Fernando Vicente
26 de Maio de 2004

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/
Este artigo encontra-se em http://resistir.inf

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fado e Música libanesa



Música Libanesa


Rabih Abou Khalil
e o GRUPO

groupeRabih Abou-Khalil: Oud
Jarrod Cagwin: Drums
Michel Godard: Serpent, Tuba, Acoustic Bass Guitar
Walter Quintus: Sound Engineer
Luciano Biondini: Accordion (Morton's Foot, Em Português)
Ricardo Ribeiro: Voice (Em Português)
Gevorg Dabaghyan: Duduk (Songs for Sad Women)
Joachim Kühn: Piano, Saxophone (Journey to the center of an Egg)
Gavino Murgia: Voice, Saxophone Soprano (Morton's foot)
Gabriele Mirabassi: Clarinet (The Cactus of Knowledge, Morton's foot

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Maldição Poema de JAIME CORTESÃO


Maldição

Poema de JAIME CORTESÃO

Por ti, pelo teu ódio à Liberdade
à Razão e à verdade,
a tudo o que é viril, humano e moço,
a fome e o luto apagaram os lares
e os homens agonizam aos milhares
no exílio, no hospital, no calabouço.


Por ti raivoso abutre
cujo apetite sôfrego se nutre
de lágrimas, de gritos, de aflições
gemem nas aspas da tortura
ou baixam em segredo à sepultura
os màrtires que atiras às prisões.

A este claro povo, herói dos povos,
que deu ao Mundo mundos novos,
mais estrelas ao céu, mais luz ao dia;
a este livre e luminoso Apolo
atas as mãos, os pés e o colo,
e encerras numa lôbrega enxovia.

Falas do céu, como um doutor no templo
mas tu encarnaçao e vivo exemplo
da hipocrisia vil dos fariseus,
pelos sagrados laços que desunes,
pelos teus crimes, até hoje impunes
roubas ao mesmo crente a fé em Deus.

Passas...e mirra a erva nos caminhos,
as aves, com terror, fogem aos ninhos,
e ao ver-te o vulto gélido e felino,
mulheres e mães, lembrando os lastimosos
casos de irmãos, de filhos ou de esposos,
bradam crispadas as mãos: Assassino! Assassino!

Passas... e até os velhos, cujos anos
têm costumado a monstros e tiranos
dizem, com a boca cheia de ira e asco:
-Sobre esta Pátria mísera que oprimes,
jamais alguém foi réu de tantos crimes.
vai-te! Basta de vítimas!. Carrasco!

Passas... e ergue-se, vai de vale a cerro
dos hospitais, do fundo das masmorras
às inospitas plagas do desterro,
um coro de ais, de imprecações, de morras.

São multidões que rugem num só brado:
- Maldita a hora em que tu foste nado!
-Que se malogre tudo quanto almejas;
-Conturbem-se os teus dias de aflição,
neguem-te as fontes água, a terra pão
e as estrelas luz -Maldito sejas.














Poema que eu dizia em Paris com 16/17 anos

Com os meus mais reconhecidos agradecimentos, ao Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, pela generosidade com que me facultaram o acesso ao
Poema Maldição de Jaime Cortesão, aqui vos deixo o poema como testemunho do Poder da poesia e o quanto a força da Palavra pode e deve servir as causas justas no combate pela Liberdade Cidadã e pelos Direitos Humanos
Quero agredecer a pessoa que teve a gentileza de me enviar o poema
assim como a amiga ISABEL PESTANA que respondendo ao meu apelo na procura do poema, me indicou onde este se encontrava
um GRANDE OBRIGADA A Natércia Coimbra cd25a@ci.uc.pt
Coordenadora do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra pelo seu cuidado e trabalho
e
VIVA O 25 de ABRIL HOJE E SEMPRE

Marília Gonçalves





Wikipédia

para que nada fique obscuro no poema

Fariseu (do hebraico פרושים) é o nome dado a um grupo de judeus devotos à Torá, surgidos no século II a.C.. Opositores dos saduceus, criam uma Lei Oral, em conjunto com a Lei escrita, e foram os criadores da instituição da sinagoga. Com a destruição de Jerusalém em 70 d.C. e a queda do poder dos saduceus, cresceu sua influência dentro da comunidade judaica e se tornaram os precursores do judaísmo rabínico.A palavra Fariseu tem o significado de "separados", " a verdadeira comunidade de Israel", "santos".

Sua oposição ferrenha ao Cristianismo rendeu-lhes através dos tempos uma figura de fanáticos e hipócritas que apenas manipulam as leis para seu interesse. Esse comportamento deu origem à ofensa "fariseu", comumente dado às pessoas dentro e fora do Cristianismo, que são julgados como religiosos aparentes.

*********

No entanto os "perushim" eram uma seita de grande influência em Israel devido ao ensino religioso e político. Aceitavam a Torá escrita e as tradições da Torá oral, na unicidade do Criador, na ressurreição dos mortos, em anjos e demônios, no julgamento futuro e na vinda do rei Messias. Eram os principais mestres nas sinagogas, o que os favoreceu como elemento de influência dentro do judaísmo após a destruição do Templo. São precursores por suas filosofias e idéias do judaísmo rabínico.



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OUTRO POEMA
DE RESISTÊNCIA
DE
Jaime Cortesão


POESIA DA RESISTÊNCIA – Romance do Homem da Boca Fechada


Jaime Cortesão – Romance do Homem da Boca Fechada

- Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
– Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.

Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.

Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.
Passava já de ano e dia…
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.

Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar
- Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás de contá-lo,
- Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
- Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
- Mais vale morrer com honra,
Do que vida deshonrada!

- A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
- Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!

Geme o peso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.
- Antes que fale emudeça! -
Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.

A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saia
Mais que espuma ensanguentada!

Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!

Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar.

Este poema de Jaime Cortesão circulou clandestinamente nos anos trinta e foi publicado no Avante em 1937 . A publicação de um poema de um republicano sobre um anarquista no jornal comunista inseria-se nos esforços de Francisco Paula de Oliveira /”Pavel” para reforçar uma política de frente popular em Portugal . Sobre Jaime Rebelo veja-se a sua necrologia em Voz Anarquista 1 , 22/1/1975 e César Oliveira , “Jaime Rebelo : Um Homem Para Além do Tempo ”


sexta-feira, 19 de junho de 2009

PORTUGAL e seus ARTISTAS!!!!!







Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Maria Keil

Esta senhora bonita é a nossa amiga Maria Keil

artista plástica.



Em 1941, via-se a si própria desta maneira

.


Maria Keil (gosta que a tratem apenas por Maria) nasceu na cidade de Silves, em 1914. Partilhou a maior parte da sua vida com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, com quem se casou, muito jovem, em 1933.

De lá para cá fez milhares de coisas, sobretudo ilustrações,

que se podem encontrar em revistas como a “Seara Nova”, livros para adultos e “toneladas” de livros infantis, os de Matilde Rosa Araújo, por exemplo, são em grande quantidade. Está quase a chegar aos 100 anos de idade de uma vida cheia, que nos primeiros tempos teve alguns “sobressaltos”, umas proibições de quadros aqui, uma prisão pela PIDE, ali... as coisas normais para um certo “tipo de pessoas” no tempo do fascismo.

Para esta “história”, no entanto, o que me interessa são os seus azulejos. São aos milhares, em painéis monumentais, espalhados por variadíssimos locais. Uma das maiores contribuições de Maria Keil para a azulejaria lisboeta, foi exactamente para o Metropolitano de Lisboa. Para fugir ao figurativo, que não era o desejado pelos arquitectos do Metro, a Maria Keil partiu para o apuramento das formas geométricas que conseguiram, pelo uso da cor e génio da artista, quebrar a monotonia cinzenta das galerias de cimento armado das primeiras 19, sim, dezanove estações de Metropolitano. Como o marido estava ligado aos trabalhos de arquitectura das estações e conhecendo a fatal “falta de verba” que se fazia sentir, o Metro lá teve de pagar os azulejos, em grande parte fabricados na famosa fábrica de cerâmica “Viúva Lamego”, mas o trabalho insano da criação e pintura dos painéis... ficou de borla. Exactamente! Maria Keil decidiu oferecer o seu enorme trabalho à cidade de Lisboa e ao seu “jovem” Metropolitano.

Estes pormenores das estações do “Intendente” (1966) e “Restauradores” (1959), são bons exemplos.


Parêntesis: Qualquer alteração na “Gare do Oriente” do Arq. Calatrava, ou nas Torres das Amoreiras, do Arq. Tomás Taveira, só a título de exemplo, têm de ser encomendadas ao arquitecto que as fez e mesmo assim, ele pode recusar-se a alterar a sua obra original. Se os donos da obra avançarem para a alteração sem o acordo do autor, podem ter por garantido um belo processo em tribunal, que acabará numa “salgada” indemnização ao autor.

Finalmente, a história! Recentemente a Metro de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar, etc, várias das estações mais antigas e não foram de modas. Avançaram para as paredes e sem dizer água vai, picaram-nas sem se dar ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos, ou ao incómodo de dar uma palavra que fosse à autora dos ditos. Mais tarde, depois da obra irremediavelmente destruída, alguém se encarregaria de apresentar umas desculpas esfarrapadas e “compreender” a tristeza da artista.

A parte “realmente boa” desta (já longa) história é que ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma sua obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização.

Perguntam vocês “porquê, Samuel?” e eu tão aparvalhado como vós, “Porque na Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma... exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!!

Este país, por vezes consegue ser “ainda mais extraordinário” do que é o seu costume! Ou não?


autor desconhecido


quinta-feira, 18 de junho de 2009

HOME - un film de Yann Arthus-Bertrand


o FILME EM DEFESA DA VIDA

HOME - un film de Yann Arthus-Bertrand


A TERRA é NOSSA CASA

O MUNDO é NOSSA CASA


em portugues PARTE 1


e seguintes no mesmo Site

Filme sem fins lucrativos


LEGENDAS