

O dia da mais bela Revolução
Nasceu uma criança e era Abril
Nasceu talvez tão cedo e era tarde
nasceu quando era o mês das águas mil
no dia incendiado em Liberdade.
Nasceu duma promessa por fazer
Que estava por cumprir em cada olhar
Nasceu uma criança por haver
Nasceu uma criança pra sonhar.
Nasceu mas tão real, tão verdadeira
Que era o futuro ali à nossa mão
Onde afinal nascia a Terra inteira
Nascia uma criança e era o pão
E era a Luz a arder de tal maneira
O dia da mais bela Revolução.
Marília Gonçalves
E CHEGOU ABRIL
Meu coração de poeta
nasceu em Lisboa um dia
numa cidade secreta
que há dentro da nostalgia.
Foi feito de largos gestos
de pais, de tios e de primos
e de emprestados avós...
E foi crescendo embalado
por pregões que ainda havia
nesse tempo ignorado
que a Liberdade mordia.
Meu coração de poeta
que me deu voz muito cedo
olhos e mãos e carícias
ia soletrando medo
no meu país de polícias.
Mas coração de poeta
tem asas e lesto voa
pra de repente cair.
Minha cidade Lisboa
poeta do meu sentir.
Calçadas, pedras e ruas
Praça do Chile, Avenidas
Arroios e seu mercado...
desdobravam-se-te vidas
no teu chão amordaçado.
Mas Lisboa era Lisboa
e um coração a nascer
descobre que ainda voa
mesmo se lhe faz doer.
Voavam jornais dobrados
pelas varandas adentro
dos meus olhos que guardavam
a poeira que em bailado
estremecia na janela
entre a luz do cortinado.
Lisboa era muito mais
era o Jardim Constantino
onde bandos de pardais
ensinavam o menino
o ardina sem jornais.
Mas ia muito mais longe
Lisboa não acabava
prolongava-se no mar
nas corridas das varinas
chinelas a dar a dar.
Minha Lisboa de cegos
tocadores de concertina
ou de carros de morangos
e de ciganas que às vezes
passavam a ler a sina ...
Minha Lisboa poeta
nos meus olhos de menina!
Marília Gonçalves
Alexandre est dérivé du prénom grec Alexandros, qui signifie « Défenseur de l'humanité » ou « Qui repousse l'ennemi ».
Segundo nome de meu filho ALEXANDRE
nome de meu netto ALEXANDRE
ASSIM SEJA
Amigos(as), Companheiros(as), Camaradas
Cumprir Abril é ser Abril pra sempre
é ser mais que palavra sementeira
onde se cumpre amor se inscreve grava
uma história nossa companheira
onde cada página é um grito
de Luz beleza Universal
onde o povo se grita
é porque digno
sabe que em si se escreve
Portugal
cumprir Abril é ser do mundo inteiro
aqui à nossa porta paraíso
onde cada palavra é um canteiro
a reflorir sempre que é preciso
cumprir Abril é ser mais do que somos
sangue natural que nos circula
é não ter medo do que um dia fomos
Erguermo-nos em Povo altivo e forte
que não se deixa nunca espezinhar
e que em nome da vida enfrenta a morte
com sementeiras de luz no seu olhar!
Marília Gonçalves
Meu amor quero ir contigo
aonde tu fores irei
será meu corpo o abrigo
do mundo que te sonhei.
Meu orvalho da manhã
chuva no solo de estio
sou tua amante ou irmã
erva semente navio.
Estendo a teus pés o meu manto
sou eu repara sou eu...
que por ti transformo o pranto
no verso que amanheceu.
Marília Gonçalves
Consequências

Gérard Philipe dans un enregistrement historique
des années '50 du poème d'Alfred de Vigny 'La mort du loup'.