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Fresques
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Fresques
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Combien de poètes cachés derrière l'illettrisme.
Être poète ce n’est pas une façon d'écrire
mais une manière de regarder.
Marília Gonçalves
Ou estrelas ou luar
à beira-mar sorrindo
meu olhar vai vogar
em mil sonhos abrindo.
Um bote na areia
à espera duma vaga
velas de lua-cheia
que leve brisa afaga.
No mar imaginário
sem rochedo nem perigos
sem ter vento contrário
rumo a povos amigos.
Sem força sem Poder
apenas Amizade
o mundo ainda a crescer
em amor igualdade.
Os remos vagarosos
vão abrindo na onda
os sulcos luminosos
ao vê-la encher redonda.
Na água ri o brilho
dos olhares e do céu
o bote segue o trilho
de diáfano véu.
Marília Gonçalves
Teus olhos talham a pedra
do perfume que há nós cardos
tropel de montanha mágica
nas longas pernas da tarde.
Sumo de luz se desfez
na carne aguda do beijo
de súbito mãos esvoaçam
na memória a despertar.
Tremem no sémen da noite
selvas e harpas em coro
forma de ópio que se alarga
à velocidade dum touro.
Tuas mãos à descoberta
de continente afundado
no oceano promessa
desta volúpia a teu lado.
Marilia Gonçalves
Queria dizer-te o amor
luminosas palavras sinfonia
Cascata pura a saltar do monte
ora mansa, ora bravia
mas que em sua transparecia
deixasse- ver o que o fundo
tem em toda sua essência
da beleza que é o Mundo.
Luminosa fosse a escrita
límpida, na lira de Apolo
que em cada palavra houvesse
o perfume de meu seio
de tua mão em meu colo.
Marília Gonçalves
Alluvion de mots
venus de cette époque
ou je cueillais<le jour
sur les arbres penchés
les saules et les platanes
murmuraient l'eau qui passe
en un frisson lointain
du rythme de ta peau.
Marília Gonçalves